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FEMINISMO Marcha Mundial das Mulheres reforça calendário de lutas pelos direitos das mulheres

Agenda de ação política foi tirada do III Encontro Estadual da MMM-PE realizada no começo de setembro

Catarina de Angola

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Mulheres organizadas e em luta contra os ataques aos direitos que a população vem sofrendo com força após o golpe contra a democracia. Assim tem se articulado a Marcha Mundial de Mulheres em Pernambuco (MMM-PE), debatendo a posição da mulher na sociedade, trabalho e violência, a partir do que está colocado na conjuntura, de aumento da pobreza e violência com as medidas que retiram direitos da classe trabalhadora.

No começo de setembro, a MMM-PE esteve reunida no seu III Encontro Estadual, realizado em Caruaru, que teve como centralidade do debate a unidade na luta e auto-organização das mulheres. O encontro articulou mais de 150 mulheres de todo o estado. “Para nós da Marcha Mundial das Mulheres Pernambuco realizar o encontro estadual nesse momento significa um grande ato de resistência e unidade feminista popular em tempos de golpe, tanto que esse foi o nosso lema”, explica Elisa Maria, do Núcleo Soledad Barret, de Recife.

Durante o encontro, a MMM em Pernambuco consolidou uma agenda de lutas para este semestre, com a perspectiva de criar estratégias de organização e resistências das mulheres. “Com a crise do sistema capitalista e com o golpe patriarcal que foi dado no Brasil, representado pelo governo ilegítimo de Michel Temer, temos um maior processo de vulnerabilidade das mulheres, a pobreza e a violência e nós não queremos assistir passivas a todo esse processo”, afirmou Elisa.

Ainda em setembro várias atividades fortaleceram um calendário feminista em prol das lutas das mulheres, como por exemplo com a Jornada contra a Reforma da Previdência e o Dia de Luta contra a Criminalização do Aborto. Outras atividades já estão planejadas e em fase de articulação e mobilização. Em Petrolina, por exemplo, a o Núcleo Sertão da Marcha estará junto a movimentos populares em conjunto com a Frente Brasil Popular em um ato pela defesa do Rio São Francisco e contra a privatização da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf).

“Seguindo a agenda estadual, aqui em Caruaru, devemos em novembro fazer uma atividade na UFPE/CAA, problematizando sobre cotas raciais, ‘cotas para quem é de cotas’. E ainda em novembro, vamos lançar uma campanha pelo fim da violência contra a mulher e contra a pobreza, em referência ao dia 25 de novembro, que é dia de luta pelo fim da violência contra a mulher. A ideia é que possamos levar a campanha e esse debate aos bairros e espaços em que estamos inseridas e dialogar com outras mulheres. Um mês de várias ações articuladas estadualmente”, explicou Ranuzia Netta, do Núcleo Agreste.

Para Bernadete Esperança, da coordenação nacional da MMM, esse é um processo importante para que as mulheres possam definir suas próprias demandas. “Ter espaços auto-organizados que possibilitem tanto as mulheres entenderem e reconhecerem a lógica que nos coloca no lugar de subordinação e inferioridade”, diz Bernadete.

Para ela, é necessário construir um projeto feito pelas próprias mãos das mulheres, que rompa com a lógica de subordinação. “Um projeto que mostre e amplie essa possibilidade que se tem de construir um projeto que seja pelas mãos do povo, feminista, antirracista é extremamente importante, mas sabemos que isso não fazemos sozinhas, sabemos que temos uma tarefa e protagonismo nessa construção, por isso se coloca a necessidade de alianças com os movimentos populares, e de forma especial temos apostado essa aliança com os movimentos que compõem a Frente Brasil Popular”, pontuou Bernadete.

Edição: Monyse Ravena




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