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Petrobras reverte prejuízo e lucra R$ 266 milhões no 3º trimestre | Negócios


Foto da sede da Petrobras no Rio de Janeiro: estatal reverteu perdas no acumulado do ano (Foto: Reuters/Sergio Moraes) Foto da sede da Petrobras no Rio de Janeiro: estatal reverteu perdas no acumulado do ano (Foto: Reuters/Sergio Moraes)

Foto da sede da Petrobras no Rio de Janeiro: estatal reverteu perdas no acumulado do ano (Foto: Reuters/Sergio Moraes)

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 266 milhões no 3º trimestre, informou a estatal nesta segunda-feira (13), revertendo o prejuízo de R$ 16,4 bilhões do mesmo intervalo do ano passado, quando a companhia revisou para baixo o valor de seus ativos. Com o resultado, a estatal já soma quatro trimestres consecutivos de ganhos.

Contudo, o lucro foi menor se comparado aos trimestres anteriores. No 1º e 2º trimestre do ano, a petroleira teve ganhos de R$ 4,45 bilhões e R$ 316 milhões, respectivamente.

Últimos resultados da Petrobras

Lucros e prejuízos nos últimos trimestres, em R$ bilhões

Fonte: Petrobras

No acumulado do ano, a estatal registra lucro líquido de R$ 5,031 bilhões, ante um prejuízo de R$ 17,3 bilhões.

O presidente da estatal, Pedro Parente, avaliou como “muito positivo” o resultado acumulado dos três trimestres deste ano. “Nós revertemos, portanto, um prejuízo que no ano passado foi de R$ 17 bilhões para um lucro de R$ 5 bilhões”.

A receita de vendas foi de R$ 71,822 bilhões no terceiro trimestre, 7% superior ao segundo trimestre (R$ 66,996 bilhões). O resultado foi puxado pelo aumento de 8% da receita no mercado interno.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado somou R$ 19,223 bilhões no terceiro trimestre, ante R$ 22,262 bilhões no mesmo período do ano passado.

Fatores que pressionaram o resultado, segundo a Petrobras:

  • Aumento das exportações de petróleo e derivados, a preços mais altos;
  • Menores margens e volume de vendas de derivados no Brasil;
  • Redução de gastos com pessoal e com baixas de poços secos e/ou subcomerciais;
  • Ganho com a venda da Nova Transportadora Sudeste (NTS) no segundo trimestre; a estatal vendeu a unidade de gasodutos para um consórcio liderado pela Brookfield, por cerca de US$ 5,2 bilhões.
  • Redução do impairment de ativos (baixa contábil pela redução do valor);
  • Maiores gastos com programas de regularização de débitos federais.

A dívida líquida da companhia caiu 11% em relação ao mesmo período de 2016, passando de R$ 314,1 bilhões ao fim do primeiro semestre de 2017, para R$ 279,2 bilhões. O prazo médio da dívida cresceu de 7,46 anos em 31 de dezembro do ano passado para 8,36 anos, e o custo da dívida caiu 6,2% ao ano para 5,9% ao ano na mesma comparação.

“A gente já começa a colher os benefícios dos pré-pagamentos, então está havendo uma redução do endividamento”, destacou o diretor financeiro da companhia, Ivan Monteiro.

Da esquerda para a direita: Nelson Luiz C. Silva, Jorge Celestino, Ivan Monteiro, Pedro Parente, Solange Guedes, Roberto Moro e João Elek, durante divulgação do balanço da Petrobras nesta segunda-feira (13) (Foto: Daniel Silveira/G1) Da esquerda para a direita: Nelson Luiz C. Silva, Jorge Celestino, Ivan Monteiro, Pedro Parente, Solange Guedes, Roberto Moro e João Elek, durante divulgação do balanço da Petrobras nesta segunda-feira (13) (Foto: Daniel Silveira/G1)

Da esquerda para a direita: Nelson Luiz C. Silva, Jorge Celestino, Ivan Monteiro, Pedro Parente, Solange Guedes, Roberto Moro e João Elek, durante divulgação do balanço da Petrobras nesta segunda-feira (13) (Foto: Daniel Silveira/G1)

Após a crise detonada pela Lava Jato e pela queda dos preços internacionais do petróleo, o endividamento líquido da Petrobras passou de um patamar de R$ 100 bilhões no final de 2011 e chegou a R$ 392 bilhões no final de 2015.

“Nós temos o décimo trimestre consecutivo de fluxo de caixa livre”, afirmou Monteiro. O diretor financeiro afirmou que a gestão da dívida tem permitido alongar os vencimentos.

“Eu chamo a atenção para o ano de 2018, um ano de volatilidade por ser ano eleitoral”. Segundo Monteiro, será possível alongar ainda mais os vencimentos sem elevar a dívida.

Redução de investimentos

O capex (investimento em bens de capital) da empresa para 2017 foi revisado para baixo, de US$ 17 bilhões para US$ 16 bilhões, já incorporando o pagamento dos bônus dos leilões da ANP.

Segundo Monteiro, essa redução deve-se à postergação de atividades de construção de FPSOs, do Gasoduto Rota 3 e ajustes no cronograma de Tartaruga Verde; a redução de tarifas de embarcações de apoio e maior eficiência nas atividades de revitalização de plataformas.

Dos resultados operacionais da companhia, a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Solange Guedes, destacou a produção no campo de Marlim, na Bacia de Campos. Lá, foi encontrado “óleo de muito boa qualidade”.

“Estamos muito felizes de compartilhar mais uma vez com vocês os bons resultados da produção no pré-sal. Ele não é só mais um resultado positivo no pré-sal, com o mais expressivo na Bacia de Campos”, destacou Solange.

Questionado sobre o possível retorno do pagamento de dividendos (parcela do lucro da companhia distribuída aos acionistas), Ivan Monteiro afirmou que “dependendo do resultado da final, se for positivo, sim, a companhia voltará a pagar dividendos”.

Em 2015, a estatal anunciou que deixaria de pagar dividendos aos acionistas, em meio a fortes perdas financeiras associadas aos escândalos da operação Lava Jato. Na ocasião, a petroleira informou que a medida servia para preservar o caixa da estatal.

Reestruturação e venda de ativos

Após a crise detonada pela Lava Jato e pela queda dos preços internacionais do petróleo, o endividamento líquido da Petrobras passou de um patamar de R$ 100 bilhões no final de 2011 e chegou a R$ 392 bilhões no final de 2015. A dívida líquida da companhia caiu para R$ 295,3 milhões ao fim do primeiro semestre de 2017.

Em abril de 2014, a petroleira calculou em R$ 6,194 bilhões as perdas por corrupção e reduziu o valor de seus ativos em mais de R$ 60 bilhões após ter reavaliado uma série de projetos como a Refinaria Abreu e Lima, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Petrobras apresentou no último dia 8 nova campanha de reposicionamento de marca  (Foto: Daniel Silveira/G1) Petrobras apresentou no último dia 8 nova campanha de reposicionamento de marca  (Foto: Daniel Silveira/G1)

Petrobras apresentou no último dia 8 nova campanha de reposicionamento de marca (Foto: Daniel Silveira/G1)

Para melhorar suas finanças, a estatal cortou investimentos e iniciou um programa de venda de ativos. Desde 2015, a Petrobras, a Petrobras já levantou R$ 42,5 bilhões (US$ 13,6 bilhões na conta em dólares) em negócios fechados.

Embora ainda não tenha fechado nenhuma nova venda em 2017, a Petrobras ainda prevê arrecadar mais US$ 21 bilhões até 2018 (o equivalente a mais de R$ 65 bilhões) no seu plano de desinvestimentos.

Entre as operações mais aguardadas, está a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da BR Distribuidora, prevista para ocorrer ainda neste ano.

Dentro do esforço para se recuperar do abalo provocado pela Lava Jato e resgatar a reputação, a Petrobras anunciou um novo reposicionamento de marca, que estreou nos meios de comunicação do país no último fim de semana.

Desenvolvida pela agência DPZ&T, a nova campanha tem como mote “Uma Jornada pelo Conhecimento” e busca enfatizar a capacidade técnica da companhia no desenvolvimento científico e tecnológico do país.

No fechamento dos mercados, as ações preferenciais (com prioridade na distribuição de dividendos) da Petrobras caíram 0,48% e as ordinárias recuaram 0,29% nesta segunda-feira (13), em sessão sem rumo para os preços do petróleo no mercado internacional.

No ano, as ações preferências da Petrobras acumulam alta de mais de 11%. A petroleira segue como a 3ª maior em valor de mercado na Bovespa,atrás de Ambev e Itaú Unibanco, com os papéis avaliados em cerca de R$ 224 bilhões.

A máxima histórica das ações foi registrada no dia 21 de maio de 2008, quando a estatal atingiu na Bovespa valor de mercado de R$ 510,3 bilhões, segundo a Economatica.

Nova política de preços

A Petrobras adotou neste ano uma nova política de preços para a venda de combustíveis e gás de cozinha. Desde julho, a estatal passou a fazer ajustes mais frequentes na gasolina e no diesel em uma nova estratégia mais agressiva para reconquistar participação no mercado doméstico.

Pela nova política de preços adotada, o preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) passou a ser revisado também todos os meses.

Para o consumidor, o resultado da nova política foi um aumento expressivo nos preços da gasolina e do gás de cozinha. Segundo pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o valor médio cobrado nas bombas passou de R$ 3,90 pela primeira vez.

Já o valor médio de um botijão de gás de 13 kg já acumula alta de 15% no ano, e custa atualmente R$ 64,74, em média, de acordo com a ANP.



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