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Empenho na vida financeira x projeto verão


Sabe aquele dinheiro que prometeu poupar nas metas para 2018? Chegou o momento de colocar em prática os planos para sua vida financeira.  Vale a pena pensar no patamar de empenho que colocamos em nossos objetivos. Por exemplo, quando você está determinada a entrar no famoso “projeto verão”, se dispõe a fazer grandes sacrifícios para atingir sua meta – há, inclusive, quem faça isso de forma irresponsável, seguindo dietas excessivamente rigorosas ou sem acompanhamento de profissionais de nutrição e educação física.

O ponto em questão é: o que te impede de te fazer o seu planejamento financeiro com o mesmo afinco? Se no caso do projeto verão você se dispõe a fazer dietas e entrar em uma rotina intensa de exercícios, por qual motivo o planejamento financeiro, muitas vezes, não passa de fazer promessas na virada do ano?

Planejamento é a palavra que mais aparece quando falamos sobre educação financeira. Sem ele, não somos capazes de alcançar nossos objetivos em longo prazo e acabamos caindo no mesmo erro: gastar mais dinheiro do que temos. Independente de qual seja o seu propósito, cuidar bem das suas finanças deve se tornar um hábito.

Para o professor de gestão financeira da IBE-FGV e consultor de negócios, Alcidney Sentallin, falar de planejamento é ter a capacidade de mensurar prazos. Ele recomenda fazer um plano que seja executável dentro de determinado tempo, ou seja, não se apresse para ter um resultado imediato. “Torne esse hábito permanente na sua vida. Para pensar em uma programação em longo prazo, a dica é fazer uma viagem no tempo. Costumo brincar que, às vezes, tenho saudade do futuro. Comecei a utilizar esse termo quando projetei a minha vida e imaginei o que aconteceria depois de 5 ou 10 anos. A partir daí, eu trouxe os objetivos futuros para o presente e planejei quais seriam minhas próximas ações e os caminhos a percorrer”, comenta.

Não acredite em soluções milagrosas

A promessa mais comum no fim do ano é fazer uma mudança total na vida. Em janeiro, as academias ficam lotadas. Afinal, esse é um ótimo momento de começar a dieta esquecida na gaveta e deixar o sedentarismo de lado. Passado o carnaval e o auge do verão, a rotina toma conta da agenda e as pessoas tendem a parar com os exercícios. No fim do ano, com a chegada de um novo  verão, a necessidade de correr atrás do prejuízo reacende. A crença errônea é de que muitos exercícios e dietas milagrosas irão compensar o tempo perdido

“Não existe dieta milagrosa e sim uma reeducação alimentar para a vida inteira. Com estas dietas rápidas, até se tem um emagrecimento, porém não é saudável, já que a pessoa não consegue manter esta restrição por muito tempo. Quando ela volta a se alimentar normalmente, acaba por ganhar todo peso que perdeu. É como diz o ditado: tudo que vai embora muito rápido, volta rápido”, comenta a professora de educação física da Contours, Rafaela Martone.

“Quando interrompemos os treinos, nosso corpo sente muito, perdemos de forma rápida a massa magra e ganhamos com facilidade a massa gorda. Além disso, nossa disposição, condicionamento físico e flexibilidade para a rotina diária diminuem muito. Por isso, devemos ter uma boa frequência de treinos durante o ano todo”, complementa.

Com as finanças funciona da mesma forma. Traçar um grande objetivo em pouco tempo não é uma prática saudável e pode atrapalhar seu orçamento futuro. “Organizar finanças bagunçadas precisa ser um ciclo. Ao contrair dívidas e despesas, você gera uma situação desconfortável com inadimplência, orçamento apertado e até uma dupla jornada de trabalho. O tempo para mudar alguns hábitos de consumo e reorganizar o orçamento  é proporcionalmente longo. Um bom planejamento não tem tempo para ser feito. O que demora mais é a sua implementação. Use o tempo a seu favor e programe-se o mais cedo possível”, aconselha Sentallin.

Endividamento: uma questão cultural

Em novembro de 2017, o número de consumidores inadimplentes no Brasil chegou a 61,1 milhões. Em comparação ao ano anterior, houve um aumento de 1,91%. Cada brasileiro tem, em média, quatro dívidas que totalizam R$ 4.425. O total é de R$ 270,5 bilhões. Dívidas atrasadas com bancos e cartões de crédito estão em primeiro lugar. Porém, a alta se deu por atrasos em contas básicas, de água, luz e gás. Os dados são de um  estudo foi feito pela Decision Analytic da Serasa Experian.

Para Sentallin, o endividamento é uma questão cultural que permeia as mais variadas classes sociais. “Infelizmente, nós, desde jovens, somos ensinados a trabalhar mais com o presente do que com o futuro. Nós vivemos em um país de instabilidade econômica e aprendemos a conviver com as finanças de forma a conciliar as necessidades com nossa renda. E, na maioria das vezes, elas acabam se desequilibrando. Ora consumimos mais do que podemos, ora não temos dinheiro suficiente para usar.”

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Outro ponto levantado pelo especialista é a falta de investimento em educação financeira desde a infância, o que reflete no panorama atual. “E ainda temos a cultura de se ‘dar um jeitinho’. Isso pode tanto ser negativo, com a visão de levar vantagem, como positivo, com a ideia de que o brasileiro é criativo e resolve o problema. Porém, esse hábito muitas vezes nos impede de desenvolver o costume de planejar”, explica.

O que fazer para mudar essa realidade?

Voltamos ao primeiro ponto: planejamento. O primeiro passo é perceber que ele é fundamental para atingir os objetivos financeiros traçados.  Se tiver dívidas, o planejamento deve começar com o objetivo de reorganizar o orçamento para que elas possam ser quitadas. Em seguida, o foco será traçar um caminho para economizar dinheiro mensalmente e buscar conhecimento para fazer seu dinheiro render da melhor forma. Assim, você estará fundamentando os pilares para alcançar os objetivos futuros.

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“Minha dica é: tire proveito das situações. Já que a expectativa de vida aumentou, pense que esse tempo acrescido à idade média do brasileiro pode ser usado a seu favor. Você tem um tempo a mais para atingir suas metas. As pequenas mudanças somadas fazem uma grande diferença. Coisas simples, como nunca gastar mais do que ganha e reservar parte do seu orçamento para investimento, ajudará nesse processo. O pior investimento tende a ser melhor do que o melhor gasto desnecessário”, esclarece Sentallin.

Tenha muito cuidado com as compras por impulso e seja disciplinada. “Exija de você mesma a capacidade de organização para que as finanças não sejam mais um ponto de preocupação, e sim sua aliada. Cobre de você. Quando nos colocamos como juízes e julgamos nossos próprios atos, tendemos a ser complacentes”, conclui.

Fotos: Fotolia

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