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Nova liberação de FGTS teria forte impacto no crédito imobiliário, diz presidente da Caixa Econômica | Economia


Filhas na Caixa Econômica para sacar FGTS em 2017 (Foto: Juliana Peixoto/G1) Filhas na Caixa Econômica para sacar FGTS em 2017 (Foto: Juliana Peixoto/G1)

Filhas na Caixa Econômica para sacar FGTS em 2017 (Foto: Juliana Peixoto/G1)

A liberação do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para trabalhadores que pedirem demissão teria forte impacto no crédito imobiliário, disse o presidente da Caixa Econômica Federal, Nelson Antonio de Souza.

“O impacto seria significativo”, disse Souza à Reuters, contando que os cálculos sobre a dimensão dessa medida estão sendo feitos pelo banco estatal, responsável por cerca de 60% do financiamento para compra da casa própria no país.

Atualmente, só trabalhadores demitidos por seus empregadores podem ter acesso imediato aos recursos do fundo. A proposta de abrir acesso ao dinheiro do fundo aos que também se demitirem foi aprovado nesta semana pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado e agora segue para votação na Câmara dos Deputados. O governo federal é contra a proposta.

Peso no financiamento imobiliário

Historicamente, o FGTS responde por quase metade dos recursos direcionados para financiar a compra de moradia. É a linha mais concorrida no mercado, por ser a mais barata. O restante tem lastro em depósitos da caderneta de poupança.

Em 2017, porém, o FGTS respondeu por R$ 58 bilhões dos R$ 101 bilhões desembolsados por elas, segundo dados da Abecip, que representa as financiadoras de imóveis. O FGTS ganhou terreno em parte devido ao menor volume de recursos da poupança nos últimos anos, num cenário de juros mais altos, que estimulou migração de investimentos para títulos públicos.

Com a queda da Selic, a taxa básica de juros da economia, para a mínima recorde de 6,5% ao ano, especialistas do setor avaliam que a poupança tende e ganhar predominância no financiamento para habitação.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a aprovação da medida aprovada na comissão do Senado nesta semana teria um impacto anual de R$ 28 bilhões no FGTS, o que teria impacto direto nos recursos para habitação e, em menor medida, projetos de mobilidade urbana e de saneamento também financiados com recursos do fundo.

“Esse é um assunto que preocupa não só a Caixa, mas todo o setor da construção civil”, disse Souza. “Então, estamos conversando com o governo e outros interessados para ver como lidar com o assunto.”

A expectativa da Abecip é de que o financiamento imobiliário no país voltará a crescer em 2018, após forte queda nos últimos três anos.

Nelson Antônio de Souza, que assume a presidência da Caixa com a ida de Gilberto Occhi para o Ministério da Saúde (Foto: José Cruz/Agência Brasil) Nelson Antônio de Souza, que assume a presidência da Caixa com a ida de Gilberto Occhi para o Ministério da Saúde (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Nelson Antônio de Souza, que assume a presidência da Caixa com a ida de Gilberto Occhi para o Ministério da Saúde (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Souza, ex-vice-presidente de habitação da Caixa, assumiu o comando do banco estatal na semana passada, substituindo Gilberto Occhi, nomeado para ministro da Saúde.

Com os níveis de capital enfraquecidos após anos de fortes desembolsos de crédito num país em recessão, a Caixa agora luta para elevar seus níveis de patrimônio líquido, à medida que se prepara para exigências de capitalização mais rígidos em 2019.

Como consequência, a carteira de crédito da Caixa fechou 2017 com retração de 0,4%. Para 2018, a previsão do banco é de estabilidade.

Segundo Souza, o orçamento previsto para empréstimo imobiliário da Caixa em 2018 é de cerca de R$ 82 bilhões, incluindo todas as linhas, nível similar ao do ano passado.

A Caixa Econômica deve divulgar na semana que vem um corte nas taxas de juros para financiamento habitacional com recursos da caderneta de poupança (SBPE), disse Souza sem dar detalhes.



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