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Disparada do câmbio e preocupações com inflação: entenda a crise na Argentina | Economia


Pouco mais de dois anos depois de encerrar a disputa com os chamados “fundos abutres”, a Argentina se vê agora diante de um novo impasse financeiro. Com sua moeda despencando, o país subiu a taxa de juros ao maior patamar do mundo, consumiu boa parte de suas reservas em dólares, buscou ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) e agora tenta buscar a confiança de investidores para evitar uma nova corrida cambial.

O custo desse acúmulo de problemas acaba pesando diretamente no bolso dos argentinos. A expectativa é de disparada de inflação, superando as projeções iniciais. Além disso, o crescimento da economia do país neste ano deve ser menor que o previsto. O ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, admitiu que “a Argentina terá mais inflação e menos crescimento num curto prazo”.

Nesse cenário, a popularidade do presidente Mauricio Macri despencou, com o percentual de cidadãos que fazem avaliação negativa de seu governo passando para 62,7% (contra 37,7% de aprovação).

Em Buenos Aires, manifestantes protestam contra medidas econômicas do governo Macri diante da crise cambial na Argentina (Foto: Martin Acosta/Reuters) Em Buenos Aires, manifestantes protestam contra medidas econômicas do governo Macri diante da crise cambial na Argentina (Foto: Martin Acosta/Reuters)

Em Buenos Aires, manifestantes protestam contra medidas econômicas do governo Macri diante da crise cambial na Argentina (Foto: Martin Acosta/Reuters)

Veja abaixo 6 pontos para entender o atual impasse financeiro e econômico na Argentina:

Mulher caminha em frente a casa de câmbio em Buenos Aires; moeda da Argentina enfrenta forte desvalorização em relação ao dólar. (Foto: Martin Acosta/Reuters) Mulher caminha em frente a casa de câmbio em Buenos Aires; moeda da Argentina enfrenta forte desvalorização em relação ao dólar. (Foto: Martin Acosta/Reuters)

Mulher caminha em frente a casa de câmbio em Buenos Aires; moeda da Argentina enfrenta forte desvalorização em relação ao dólar. (Foto: Martin Acosta/Reuters)

O peso argentino enfrenta uma forte desvalorização nas últimas semanas, e, com isso, vem batendo mínimas recordes com relação ao dólar. Em 2018 até a segunda-feira (15), a moeda dos Estados Unidos já subiu 31% sobre a da Argentina. Atualmente, são necessários quase 25 pesos argentinos para comprar US$ 1, patamar recorde no país.

Dólar dispara sobre o peso argentino em 2018 (Foto: Fernanda Garrafiel/G1) Dólar dispara sobre o peso argentino em 2018 (Foto: Fernanda Garrafiel/G1)

Dólar dispara sobre o peso argentino em 2018 (Foto: Fernanda Garrafiel/G1)

O dólar está em tendência de alta em relação a várias moedas, inclusive o real, no Brasil. Isso acontece porque aumentou a expectativa no mercado financeiro de que os Estados Unidos devem subir suas taxas de juros mais rápido que o esperado. Fazendo isso, o país se tornaria mais atraente para os investidores em relação a outros mercados, como os países emergentes, considerados menos seguros para aplicações. Por essa razão, o dólar se valoriza.

No entanto, na Argentina o movimento tem sido mais forte. Além da pressão externa, as incertezas envolvendo a economia do país reforçam a procura por dólares, enquanto o mercado analisa as medidas das quais o governo e o Banco Central ainda podem lançar mão para frear a queda do peso.

2. BC sobe a taxa de juros

Em uma tentativa de interromper a saída de dólares da Argentina, o BC subiu no começo de maio a taxa de juros do país duas vezes em dois dias, de 30,25% ao ano para 40% – a maior do mundo.

Taxa de juros na Argentina sobe para tentar conter alta do dólar (Foto: Fernanda Garrafiel/G1) Taxa de juros na Argentina sobe para tentar conter alta do dólar (Foto: Fernanda Garrafiel/G1)

Taxa de juros na Argentina sobe para tentar conter alta do dólar (Foto: Fernanda Garrafiel/G1)

O aumento é uma tentativa de fazer os investidores manterem seu dinheiro na Argentina. No entanto, para que isso aconteça, é necessário que haja confiança na economia do país, o que ajuda a explicar por que a disparada do câmbio não foi interrompida. Desde o aumento dos juros, o dólar já subiu 18% sobre o peso argentino.

Outra medida do BC argentino para tentar frear a alta do dólar é usar suas reservas em moeda internacional. O objetivo é injetar dólares no mercado para, por meio do aumento da oferta, diminuir seu valor sobre o peso.

Reservas em dólares na Argentina (Foto: Fernanda Garrafiel/G1) Reservas em dólares na Argentina (Foto: Fernanda Garrafiel/G1)

Reservas em dólares na Argentina (Foto: Fernanda Garrafiel/G1)

Em aproximadamente dois meses, o BC já reduziu suas reservas em mais de US$ 6 bilhões – o equivalente a quase 10% do volume total de reservas. Em 10 de maio (data mais recente divulgada pelo BC), o montante estava em US$ 56 bilhões.

4. Pedido de ajuda do FMI

Em Buenos Aires, manifestante segura cartaz contra o novo pedido de ajuda da Argentina ao FMI (Foto: Martin Acosta/Reuters) Em Buenos Aires, manifestante segura cartaz contra o novo pedido de ajuda da Argentina ao FMI (Foto: Martin Acosta/Reuters)

Em Buenos Aires, manifestante segura cartaz contra o novo pedido de ajuda da Argentina ao FMI (Foto: Martin Acosta/Reuters)

A crise levou o governo argentino a pedir uma linha de crédito de US$ 30 bilhões ao FMI, com juros mais baixos que captar dinheiro no mercado. O início das discussões sobre o caso no Fundo foi marcado para o dia 18 de maio.

O pedido gerou controvérsia, já que o próprio ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, havia prometido que o país não faria mais dívidas com o FMI. Agora, ele diz que o objetivo é “reagir da melhor maneira para cuidar da Argentina e especialmente dos mais carentes”.

Dias depois do anúncio, pesquisas mostraram que a maioria dos argentinos reprova a decisão. O Centro de Estudos de Opinião Pública (CEOP) aponta que 77% da população considera a medida negativa. Segundo outro levantamento, da consultoria D’Alessio Irol-Berensztein, a proporção dos que a rejeitam é de 75%.

“Deve-se levar em conta que a memória coletiva se nutre de más recordações de tempos indesejados que se associam ao temido FMI”, explicou Roberto Bacman, diretor do CEOP.

O chefe do Gabinete de Ministros, Marcos Peña, comentou a comparação. “Estamos num processo de crescimento. Não temos um país paralisado. Não estamos recorrendo ao FMI numa situação terminal como nos anos 80″, defendeu, segundo informações da RFI.

5. Preocupações sobre a inflação

Manifestantes protestam contra a alta da inflação na Argentina; governo pediu ajuda ao FMI (Foto: Eitan Abramovich/AFP) Manifestantes protestam contra a alta da inflação na Argentina; governo pediu ajuda ao FMI (Foto: Eitan Abramovich/AFP)

Manifestantes protestam contra a alta da inflação na Argentina; governo pediu ajuda ao FMI (Foto: Eitan Abramovich/AFP)

A Argentina divulgou nesta terça-feira (15) o primeiro dado de inflação desde o forte aumento da taxa de juros. Em abril, os preços subiram 2,7% contra o mês anterior, com destaque para a alta de 8% nos preços de itens considerados essenciais, como habitação, água, eletricidade, gás e combustíveis.

No acumulado do ano até abril, o país registrou inflação de 9,6%, e aproximando da meta do governo para o ano, de 15%. No ano passado, a meta de 17% já foi descumprida, e os preços subiram 24,8%.

Já na comparação em 12 meses, a alta média dos preços no mês de abril é de 25,5%. A expectativa é que a inflação termine o ano acima das projeções – a última divulgada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), por exemplo, é de alta de 22,7% dos preços.

Em uma operação comemorada pelo governo, o BC argentino conseguiu renovar uma dívida em pesos, em um montante equivalente a US$ 27 bilhões que venceria nesta terça-feira (15). Para tanto, dividiu a dívida em partes, com vencimentos entre 36 e 154 dias e taxas de juros de 38% a 40%.

Além disso, o BC fez uma emissão de mais 5 bilhões de pesos em uma nova dívida, o equivalente a aproximadamente US$ 200 milhões.

A operação foi vista como um “voto de confiança” na economia do país. Isso porque a preocupação do governo era de que, em meio às incertezas, os investidores não aceitassem a renovação dos investimentos em peso em forma de letras do Banco Central (Lebacs) e, no lugar disso, optassem por operações em dólar. Isso faria o valor da moeda dos Estados Unidos disparar ainda mais sobre o peso.

Na prática, a operação do BC significou uma troca da dívida que teria a vencer por outras mais caras, mas com prazo maior, e ainda emitiu nova dívida.



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