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Mulheres Ampliam Participação No Parlamento, Mas Seguem Como Minoria


O resultado do primeiro turno das eleições no estado do Rio de Janeiro seguiu a “onda conservadora” de boa parte dos estados brasileiros e confirmou o flerte com a extrema-direita que estava em curso há alguns anos. No entanto, uma parcela da população demostrou no último domingo (7) que é necessário pensar em representatividade, gênero e classe social no momento de votar.

No próximo ano, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) terá uma renovação de 51% em seu quadro parlamentar. A maior bancada será a do Partido Social Liberal (PSL), com 13 deputados; seguida pelo Democratas (DEM), com seis parlamentares e pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol), com cinco. 

A outra novidade foi o crescimento da participação das mulheres na Alerj, que, apesar de ocuparem mais vagas, continuam sendo minoria nas 70 cadeiras da Assembleia Legislativa. Ao todo, 12 deputadas atuarão na Casa, um aumento de 33% em relação ao atual período. Entre os destaques estão três mulheres que trabalharam no gabinete da vereadora assassinada Marielle Franco: Mônica Francisco, Renata Souza e  Dani Monteiro, todas negras e do Psol.

Em seu discurso após o resultado das eleições, Mônica Francisco ressaltou o papel da mulher negra e da periferia para mudar a forma de fazer política.

“É o tempo em que nós, mulheres negras, somos a vanguarda da revolução, não farão mais política sem nós. Estamos no centro de todas as opressões, do machismo, do racismo, do sexismo, da desumanização e nós temos a capacidade, a competência e a ousadia para enfrentar esses tempos. Nos tiraram tanto, que perdemos o medo”, destacou Mônica.

Outra mulher reeleita para assumir o seu segundo mandato é a deputada Zeidan (PT). A parlamentar que se destacou entre os quatro primeiros deputados que mais apresentaram propostas aprovadas afirmou que a união será fundamental em 2019 para evitar o avanço do conservadorismo.

“Essa tragédia que se abateu sobre o Rio, com prisões de lideranças do PMDB deixou um vácuo de poder, nesse setor conservador, e o PSL vai tentar ocupar. A disputa maior será entre eles. E nós, do campo democrático, temos que nos unir e constituir um bloco com partidos e deputados que queiram estar com a gente, nas pautas progressistas”, disse.

Câmara Federal

Já na esfera federal, o estado do Rio de Janeiro elegeu apenas 10 mulheres para compor as 46 cadeiras do Rio na Câmara dos Deputados. Entre as eleitas está Talíria Petrone (Psol). Estreante na Casa, a então vereadora do município de Niterói obteve mais de 107 mil votos. 

Talíria também é negra e foi uma das vozes combativas para denunciar o assassinato de Marielle Franco que completa no próximo domingo (14) sete meses sem respostas. 

Em entrevista ao programa Brasil de Fato, Talíria falou sobre as suas expectativas de atuação no Congresso. Segundo ela, a disputa de pensamento com a extrema-direita será fundamental.

“Nem todo mundo que defende Bolsonaro é fascista. As pessoas estão com as suas vidas precarizadas, fazem parte de uma política velha que as afasta do território, precisamos voltar com os trabalhos de base e também convencer o povo brasileiro que aquele que diz que ‘bandido bom é bandido morto’ é o mesmo que vota na reforma trabalhista e tira direito do trabalhador, que vota contra a PEC das Domésticas”, explicou.

Com uma trajetória de luta social e representatividade, a deputada federal Benedita da Silva (PT) também foi reeleita.  A parlamentar sinalizou preocupação com a composição do Câmara dos Deputados. Benedita ressaltou que o Congresso conservador vai exigir muita organização da população brasileira. Para ela, a tarefa das mulheres do campo progressista será árdua.

“Estamos com uma grande tarefa de representar o Rio e fazer uma disputa ideológica, pois os direitos dos trabalhadores e das mulheres estão em risco real com o avanço do conservadorismo”, disse a deputada.

Além de Benedita da Silva e Talíria Petrone, a deputada Jandira Feghali (PCdoB) também foi reeleita.

Edição: Mariana Pitasse



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