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Bandidos agora usam maquininha de cartão em sequestro relâmpago; como agir? – Tudo Golpe


Há dez anos, minha esposa foi vítima de um sequestro relâmpago. Dois criminosos a abordaram, no instante exato em que ela saía do trabalho, e a levaram até um shopping em uma região periférica de São Paulo. Enquanto um dos bandidos a mantinha refém dentro do carro, o outro foi ao caixa eletrônico com seu cartão e senha. Por desconhecimento em relação aos procedimentos para saque, o sequestrador não conseguiu retirar o dinheiro.

Em plena luz do dia, os sequestradores, com armas em punho, ameaçaram tirar a vida da minha esposa. Por fim, ela foi deixada no shopping, e os dois criminosos saíram caminhando tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. O terror psicológico que a impuseram deixaria sequelas. E o trauma, por mais que o tenhamos enfrentado e amenizado juntos, acompanha nossa família até hoje.

Uma semana antes, coincidentemente, havíamos assistido à palestra de um policial militar de São Paulo sobre como se comportar nestas circunstâncias, o que certamente ajudou minha esposa.

Uma pesquisa do Datafolha, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizada em janeiro deste ano, aponta que 82% dos cariocas têm medo de sofrer um sequestro relâmpago. Isso evidencia o quanto esse é um crime comum e que pode colocar sua vida em risco.

Sugiro, portanto, caro leitor, que pesquise e leia bastante sobre o assunto. No site da Polícia Militar de Minas Gerais, por exemplo, há uma recomendação preciosa e recorrente das autoridades públicas: “Em caso de abordagens por cidadãos infratores, não reaja nunca, mesmo que você ache que tem chance de sair-se bem. Sua vida vale mais do que qualquer material”.

A modernização do sequestro relâmpago

Ao contrário do que aconteceu no episódio com minha esposa há uma década, os criminosos não precisam mais ir aos caixas eletrônicos. É quase inacreditável, mas há sequestradores que possuem suas próprias maquininhas e, sem sair do carro, as utilizam para realizar transações com os cartões das vítimas. Os bandidos ficam menos expostos, se esquivam de câmeras de segurança e conseguem a liberação do dinheiro muito mais rapidamente.

E há os aparelhos celulares; exagero dizer que hoje eles valem mais do que o cartão de crédito?

Com os aplicativos dos bancos e outras instituições financeiras, informações como os limites, créditos pré-aprovados e dados dos cartões estão facilmente disponíveis também para o sequestrador. Uma sugestão, aliás, é a utilização de aplicativos de segurança que criam pastas secretas e protegidas para armazenamento destes dados mais sensíveis.

“Fui vítima de sequestro relâmpago. O que eu posso fazer para recuperar meu dinheiro?”

Sei que não é fácil manter a calma a ponto de atentar-se a alguns detalhes, mas se o sequestrador estiver com uma maquininha de cartão, tente observar as características deste equipamento; caso consiga se lembrar a cor e o formato, será mais fácil identificar qual é a empresa responsável por sua administração, o que é muito importante para conseguir recuperar seu dinheiro. No vídeo a seguir, explico o porquê e cito outros passos importantes caso você seja vítima de sequestro relâmpago.

Talvez, seja possível bloquear a conta do sequestrador para que ele sequer receba o dinheiro. Caso não tenha memorizado as características do equipamento, o banco poderá ajudá-lo com esta informação. Ao ligar para cancelar os cartões, não deixe de perguntar qual é a empresa responsável pela maquininha utilizada pelos bandidos.

Não deixe, também, de registrar um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ao local em que o crime aconteceu.

Qual é a responsabilidade dos bancos e das administradoras do cartão de crédito?

A Justiça tem se manifestado favoravelmente ao cliente vítima de uso indevido dos seus cartões. Se as transações superam, em muito, os gastos usuais dos consumidores, esta mudança de comportamento deveria ser compreendida pelos administradores financeiros como uma suspeita de fraude. Bancos e administradoras de cartão têm o dever de salvaguardar o dinheiro de seus clientes e, portanto, são responsáveis pelo uso que fuja completamente aos padrões. Na estreia deste blog, quando falei sobre o golpe do motoboy, publiquei uma decisão recente do Tribunal de Justiça, que segue este entendimento.

Portanto, se houve prejuízo financeiro, a vítima não deve hesitar em consultar um advogado e acionar judicialmente o banco ou a administradora.

Qual é a responsabilidade das empresas que administram as maquininhas?

As empresas que administram os cadastros dos comerciantes e empreendedores que possuem maquininhas são instituições de pagamento, mas não são elas que aprovam as transações; isto cabe aos bancos.

Porém, estas empresas podem ajudar a evitar o prejuízo, bloqueando a conta de criminosos e golpistas, e auxiliar as autoridades na identificação dos bandidos, já que detêm os dados informados quando se cadastraram.

A autoridade policial que investigar o crime deverá enviar um ofício para a empresa responsável pela maquininha e solicitar os dados dos criminosos: nome, CPF, telefones e, principalmente, o endereço em que o equipamento foi entregue. Ainda que todos os outros dados sejam de “laranjas”, é neste endereço que o bandido recebeu a maquininha o que será, no mínimo, uma pista importante.

E você, caro leitor, o que pode fazer no seu dia a dia para diminuir os impactos de um sequestro relâmpago?

  • O que você costuma carregar na sua bolsa ou na sua carteira?

Cartões de crédito, débito, extratos, contas de consumo, talões de cheque, carteirinhas do plano de saúde, da faculdade, crachá e tantos outros papéis que demonstram quem você é, quanto você ganha, onde você mora, estuda e trabalha, seus hábitos de consumo e limites bancários? Você realmente precisa disso tudo? Não seria melhor manter consigo somente o que for imprescindível naquele dia e digitalizar o que for possível? Nós somos os maiores produtores de informações para os golpistas.

 

  • Você tem consciência dos riscos que seus limites de crédito podem lhe trazer?

Quais são seus limites de crédito? Você realmente precisa destes valores que costumam superar em muito a condição financeira dos correntistas? Muitas vezes, sequer sabemos que dispomos de créditos pré-aprovados em nossas contas para compras de veículos, necessidades emergenciais, entre outras razões. Converse com seu gerente e reavalie se vale a pena.

Se você for vítima de um sequestro relâmpago, estes valores também estarão disponíveis para os criminosos e, tendo em vista que as transações terão sido realizadas com seu cartão e senha, somente com uma ação judicial você poderá, talvez, recuperar seu dinheiro.

Antes de encerrar, quero reiterar às recomendações das autoridades competentes: no caso de um sequestro relâmpago, procure manter a calma, não reaja e preserve sua integridade física e sua vida.



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