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O menino do drone: robô muda forma de jovem viver e enxergar as periferias


Crianças participaram de oficina de Drone ministrada pelo jovem Marcelino em uma praça próximo à sua casa.

Inspirado pela composição “Levanta e Anda”, do rapper Emicida, o “menino do drone” faz da trilha sonora de sua vida uma constante vivência com o som dos ventos e pássaros que ocupam os céus das periferias de São Paulo.

Por Tamires Rodrigues

Em 2015, Marcelino Melo, mais conhecido como “menino do drone”, recebeu um seguro de vida pelo falecimento do seu pai. A partir deste momento, o jovem morador do Jardim Piracuama, bairro do distrito do Campo Limpo, zonal sul de São Paulo, ficou imaginando como iria gastar o dinheiro.

A primeira coisa que veio em sua mente foi comprar uma moto, sonho de consumo de muitos jovens da quebrada. Porém, percebeu que a opção só iria trazer mais gasto. Engajado em fazer um uso consciente dos recursos obtidos no seguro de vida de seu pai, Marcelino passou a pesquisar equipamentos que pudessem alimentar o seu gosto pela fotografia.

Nesse processo, ele se deparou com o anúncio de um drone na internet. Com o equipamento, ele poderia produz imagens aéreas e explorar uma série de tecnologias de georreferenciamento de dados. Decidiu investir e explorar o aparelho aliado ao gosto por fotografar.

“Eu passei um tempo pesquisando o que eu ia fazer. [O drone] Era muito mais caro que o dinheiro que eu tinha na verdade. Aí eu negociei um monte até que ele aceitou o dinheiro que eu tinha. Comprei”, relembra Marcelino.

Apesar de ter tido sucesso ao fechar o negócio, o jovem ficou alguns meses sem mexer no “robô de imagens” por não saber como pilotá-lo. Mas, quando perdeu o medo de mexer no drone, nem o céu foi o limite.

Quanto mais o “menino do drone” aprendia a voar, mais ele ia atrás de informação para entender as regras de regulamentação do drone, que estavam sendo implementadas no Brasil à época, e ver como faria a produção das imagens aéreas.

Em 2017, a ANAC (Agência Nacional de Aviação) aprovou um regulamento especial para utilização de aeronaves não tripuladas, popularmente chamadas de drone, com o objetivo de tornar viável a segurança das pessoas e dos equipamentos.

Depois de aprender um pouco de tudo, Marcelino entendeu que apenas voar não era mais o seu objetivo. Ele queria agora tentar traduzir toda a grandiosidade que a periferia tem e fazer com que a pessoas se enxerguem grandes também.

Menino do Drone gravando cena de clipe do rapper Djonga no Capão Redondo.

“O drone é mais do que uma tecnologia, né? É mais do que uma visão de cima. Eu posso estar em uma quebrada deserta. Se eu subo um drone, já percebo ao redor que fica um monte de curiosos querendo ver. Dá para enxergar o sorriso nas pessoas”, afirma o jovem.

Por enquanto, o maior meio de divulgação de suas fotografias é pelo Instagram, mas ele pretende expor suas fotos em outros lugares, para que também consiga chegar a espaços físicos. Marcelinho ainda está elaborando esse projeto, mas em breve terá novidades.

“A primeira foto de drone que postei no Instagram me chamou a atenção um monte de caixas d’água azuis. Na foto tinham umas 200 caixas. Eu gosto muito dela porque foi ali que entendi a fotografia sabe”, relembra.

Sobre o apelido/nome artístico, Melo conta que não lembra muito da ocasião. Mas um amigo foi o responsável por ele. “Chegou o cara e falou: ‘e aí menino do drone?!’, e pensei que de repente isso era uma coisa boa, né?”

Hoje em dia, além de atuar com produção audiovisual de filmes e clipes de música, principalmente de rappers, o jovem desenvolve um trabalho de educador na Fábrica de Cultura do Jardim São Luís, onde ministra oficinas para jovens e crianças de produção de clipes com celular e criação de drones com peças alternativas.



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