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Podemos herdar o conhecimento? – A Mente é Maravilhosa


Uma pesquisa recente realizada na Universidade de Tel Aviv acabou de contestar um dos princípios básicos da biologia: a barreira de Weismann. Este estudo é o primeiro passo para pesquisas futuras sobre a herdabilidade do conhecimento, ou seja, abre as portas para a possibilidade de herdar o conhecimento das gerações passadas.

Os pesquisadores liderados pelo professor Oded Rechavi, do Departamento de Neurobiologia da George S. Wise Faculty of Life Sciences, em conjunto com a Escola de Neurociência Sagol, descobriram um mecanismo baseado em RNA que sugere que a resposta dos neurônios ao meio ambiente pode herdada. Ou seja, uma informação adquirida poderia afetar o comportamento dos descendentes.

O experimento, apresentado em 6 de junho de 2019, foi realizado com uma espécie de verme: os nematóides (Caenorhabditis elegans). A equipe mostrou como as células do sistema nervoso podem transmitir informações para as próximas gerações de vermes.

Células do organismo humano

A linha germinal e a polêmica de como herdar o conhecimento

O mecanismo de regulação do RNA permite ao sistema nervoso dos seres vivos se comunicar com a linha germinal. Essa linha afetaria o comportamento das gerações seguintes. Esta é a grande novidade que este estudo traz.

Portanto, se esta pesquisa estiver correta, significa que o sistema nervoso pode controlar a descendência. A descoberta contesta a barreira de Weismann, um dos princípios mais aceitos da biologia, embora muito controverso e amplamente discutido nas últimas décadas.

A Barreira de Weismann

A barreira de Weismann é a teoria que assegura que as características adquiridas são características das células do soma, e que em nenhum caso elas são transmitidas às gerações futuras.

Essa barreira é o que diferencia, segundo Weismann, as células soma e as células germinais do corpo (óvulos e espermatozoides).

Freibour A. Weismann foi um biólogo e geneticista alemão que apresentou as suas conclusões sobre as informações hereditárias e o germoplasma da herança em um livro publicado em 1892.

Segundo as suas teorias, as alterações no plasma germinal provocadas pelas influências ambientais somente afetariam a herança se ocorressem no plasma germinal, mas não o fariam se ocorressem no soma (corpo) da célula.

Desde então, muitas foram as vozes do mundo acadêmico que argumentaram que a barreira somatogerminal não funciona dessa maneira. No entanto, essa teoria tem sido tomada como base há anos para rejeitar a herança das personalidades adquiridas.

A pesquisa

O estudo apresentado contestou a barreira de Weismann. Os sistemas mais modernos existentes foram usados na investigação. A mais recente ferramenta de edição de genes CRISPR-Cas9 foi usada para criar uma forma variante de gene ou alelo mutante.

Um indicador de cálcio geneticamente codificado (GECI) e uma análise de imagem de cálcio, GCaMp2, também foram utilizados.

Para esse fim, foram projetados vermes que produziram endo-siRNA dependente de RDE-4 apenas em neurônios. O objetivo era entender os efeitos herdáveis ​​do RNApn neuronal (RNA nuclear pequeno).

As análises do cálcio codificado geneticamente permitiram a observação da atividade neuronal através de sistemas optogenéticos.

O conhecimento pode ser herdado?

Como é possível herdar o conhecimento?

A pesquisa concluiu que o RNAm dos neurônios regula os genes da linha germinal e controla o comportamento das gerações futuras. Esse mecanismo controlaria a expressão do gene da linha germinal por várias gerações.

Mais especificamente, é o RDE-4 neuronal que controla a quimiotaxia por pelo menos três gerações. Isso seria feito através do ArgonauteHRDE-1, que se encontra restrito à linha germinal.

Portas abertas para novos estudos

Essa descoberta sobre o mecanismo do RNA que torna possível a comunicação entre as células do sistema nervoso e as células germinais para permitir a herdabilidade das informações adquiridas nas gerações seguintes pode mudar a maneira como entendemos este processo.

Pesquisas futuras poderão confirmar o funcionamento desse mecanismo no restante dos animais e no ser humano. Sem dúvida, as implicações deste estudo sobre o conhecimento que temos sobre genética, evolução, epigenética e herdabilidade da inteligência são enormes.



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