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Golpe finge despesas hospitalares em pacientes já internados – Tudo Golpe


O golpe que se aplica pela dor e pelo desespero de quem enfrenta um problema sério de saúde na família

Beatriz estava internada, havia mais de duas semanas, na UTI de um dos mais importantes hospitais de São Paulo, em estado grave. Seu marido, Felipe, havia passado a noite em casa e, naquela manhã, chegou ao hospital por volta das 7h30, ansioso em conversar com o médico de plantão. Ele queria saber como seria o exame que sua esposa iria realizar em instantes. Uma hora antes, ele havia recebido a ligação de um homem que se identificou como funcionário do hospital e lhe comunicou sobre o procedimento. Este homem explicou que Beatriz precisava fazer um exame com urgência; era um exame caro e a operadora de saúde não estava dando autorização. Recomendou que não era prudente esperar. Felipe não pensou duas vezes, transferiu pouco mais de R$ 7.000 para pagar o exame e correu para o hospital.

Descobriu, então, que nenhum exame estava agendado, tampouco algum funcionário do hospital havia ligado para ele. Se já não bastasse o difícil momento que viviam, Felipe havia caído em um golpe.

Luana, uma enfermeira que acompanhou este caso de perto, conversou com o Tudo Golpe. “Muito provavelmente, os golpistas sabiam que o esposo não estava no hospital e que ele não teria como, rapidamente, confirmar com a equipe médica se a história era verdadeira”, disse a profissional. “Percebemos que eles sempre ligam bem cedo ou a noite, exatamente nos períodos em que os parentes costumam estar fora do hospital”, acrescentou.

A enfermeira nos reportou, ainda, que este não foi um caso isolado. “Eu tomei conhecimento de muitos casos. Eles [os golpistas] sempre se aproveitam do fato de serem pacientes em estado grave e, portanto, pode mesmo acontecer alguma intercorrência que necessite de um exame emergencial”. Luana faz uma observação interessante em relação às vítimas: “Eram todos bastante esclarecidos, mas em um momento de muita fragilidade”.

Este é um dos golpes que mais me provocam repulsa. Chamar o agente causador de golpista, sinceramente, não me parece o bastante. Como descrever alguém que, sabedor dos problemas de saúde de um ente querido e da fragilidade emocional que acomete toda a família, só consegue olhar para o outro como uma presa fácil e tirar proveito financeiro da situação? Preparado para receber críticas por minha franqueza, mas seguro de que transmitirei a você, caro leitor, transparência no meu texto, digo que este golpista, que se aproveita de um dos piores momentos que se pode viver, é um ser desprezível em todos os sentidos.

No relato que abriu esta matéria, o esposo da paciente estava em casa. Mas há situações em que os criminosos ligam para o quarto do hospital e pedem para conversar com o responsável pela internação. São pais, filhos, filhas e parceiros desesperados e vulneráveis. Os bandidos têm os dados dos pacientes, utilizam termos técnicos e médicos que os ajudam a persuadir, sabem quais exames foram previamente realizados e não dão aos familiares tempo para refletir. Informam que o plano não está aprovando o exame e causam a impressão de se tratar de um caso de vida ou morte.

Alguns hospitais, inclusive os públicos, já alertam sobre a possibilidade de golpe no momento da internação, além de disponibilizarem placas de sinalização em todos os ambientes. Em pelo menos um grande hospital de São Paulo, nossa reportagem constatou que os avisos preventivos são veiculados nos televisores instalados nos quartos também.

Muitos já incluíram no contrato uma cláusula que isenta o hospital de responsabilidade no caso do golpe da despesa hospitalar. “Sei que alguns hospitais lançaram mão deste recurso por conta dos muitos processos que sofreram. Particularmente, não acho isso certo porque, na hora de internar, a família está tão abalada que nem presta atenção nestas coisas”, opina Luana, que nos apoiou nesta reportagem.

Mantenha a calma e fique atento

Nenhum hospital, seja público ou privado, faz este tipo de chamada ou age desta maneira.

Se receber uma ligação como esta, procure manter a calma e avise que você irá conversar diretamente com alguém da equipe médica. Se for possível, anote o telefone de quem fez a chamada e denuncie ao setor de tesouraria ou atendimento ao cliente do hospital, que são as áreas que realmente se envolvem nas questões financeiras.

Se você foi vítima deste golpe, cobre do hospital uma explicação. Como os criminosos que lhe causaram este mal tiveram acesso aos seus dados e a ficha médica do paciente, informações tão sensíveis e que deveriam estar muito bem protegidas? Deixo esta provocação.

Observação: a história que relatamos aqui, incluindo seus personagens, é verdadeira. Todos os nomes, porém, foram alterados para preservar os envolvidos.



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