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Brasileiros recorrem a transplante capilar na Turquia. Saiba os riscos


PC Siqueira fez transplante na Turquia em janeiro

PC Siqueira fez transplante na Turquia em janeiro
Reprodução/Instagram

Cerca de 60 mil turistas viajam anualmente à Turquia para realizar cirurgias de transplante capilar. Entre esse público estão brasileiros, incluindo dois youtubers famosos que exibiram nas redes os resultados do procedimento feito no país.

PC Siqueira relatou ter gasto US$ 2.500 (cerca de R$ 10,5 mil), fora a passagem, para transplantar 4.500 fios.

Gui Souza contou aos seguidores no Twitter que pagou US$ 2.000 (cerca de R$ 8.200) com hospedagem incluída, mas sem a passagem. “Ficou melhor do que eu esperava”, afirmou.

Em busca de clientes brasileiros, as clínicas de transplante capilar na Turquia investem até mesmo em atendimento em português. Pacotes são oferecidos a quem as procura pelo WhatsApp, com todas as orientações.

O R7 teve acesso a uma dessas ofertas. Por US$ 3.000 (R$ 12,2 mil), estão incluídos o transplante capilar, quatro noites em hotel cinco estrelas, com café da manhã, intérprete em português, traslado entre o aeroporto, hotel e a clínica, entre outras facilidades.

A clínica, porém, alerta que não atende pacientes que tenham hipertensão arterial, diabetes, hepatites, HIV ou dermatite seborreica. Eles exigem que o paciente leve exames de sangue realizados no Brasil.

As passagens em voo direto de São Paulo para Istambul custam, em média, R$ 4.300. Os pacotes também não incluem as demais refeições do dia e outras eventuais despesas.

Dessa forma, o interessado gasta, pelo menos, R$ 12,5 mil para se submeter a uma cirurgia de transplante capilar na Turquia.

‘Barato’ pode sair caro

Os dois youtubers disseram que levaram em conta o preço na hora de escolher clínicas turcas. Afirmaram que gastariam no Brasil ao menos R$ 30 mil para fazer um transplante.

“Com R$ 20 mil, você consegue fazer uma cirurgia com um excelente médico aqui no Brasil”, afirma o dermatologista Leonardo Spagnol Abraham, coordenador do Departamento de Cabelos e Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Entretanto, o médico ressalta que o valor não deve ser o único critério a ser considerado, já que em cirurgias como essa existem riscos, tanto durante o procedimento quanto depois.

“Lá na Turquia não tem uma legislação tão rígida quanto no Brasil. Tem pessoas boas que fazem, cirurgiões de transplante capilar que são excelente e dão aulas em congresso, mas a maioria dos profissionais, principalmente os que fazem propaganda e vendem com preço muito aquém da realidade, não tem formação médica. São procedimentos que são feitos de maneira que não sabemos como, até mesmo em relação ao nível de higiene.”

Abraham diz já ter visto em congressos relatos de casos de infecções por hepatite B e até HIV em cirurgias desse tipo na Turquia.

Membro da Associação Turca de Cirurgia Plástica e Reconstrução Estética, o professor Derya Özçelik, disse em 2017 ao jornal turco Hürriyet que há locais que utilizam o mesmo equipamento para transplantar cabelo entre cinco e seis pacientes sem qualquer tipo de esterilização.

“Não há médico, o que há são alguns técnicos de saúde, técnicos em enfermagem, enfermeiros e até agentes de turismo que estão transplantando cabelos”, afirmou o médico turco.

Outros riscos durante e após o procedimento, segundo o dermatologista Leonardo Spagnol, incluem anafilaxia (reação à anestesia, que pode ser fatal), infecção local que pode se alastrar e até necrose da área doadora.

“Existe um limite de fios que você pode tirar em um determinado espaço. Se retirar mais, vai acabar necrosando a área toda, fica um buraco e não nasce mais nada.”

Se a aplicação dos fios for feita de maneira errada, os cabelos crescerão em um sentido que não é natural. “Pode ter um redemoinho na frente da cabeça”, observa o dermatologista.

Não há a quem reclamar

Qualquer complicação decorrente deses procedimentos, se acontecerem em solo turco, podem ter que ser bancadas pelo próprio paciente, já que apólices de seguro de viagem não cobrem sinistros dessa espécie.

Até mesmo no Brasil há o risco de uma cirurgia dar errado. A diferença é que a legislação brasileira oferece garantias que o paciente não terá na Turquia se não ficar satisfeito ou tiver algum tipo de lesão.

“Quando você volta [para o Brasil], se tiver alguma coisa que precise se informar, você vai ligar para quem? Para um médico turco?”, questiona Abraham.

O dermatologista ressalta ainda que o Brasil tem “os melhores cirurgiões plásticos e de transplante capilar do mundo”.

“Não tem por que a população procurar profissionais fora. Se for pelo custo, se programe e opere no Brasil, com toda a segurança que a legislação brasileira nos dá. Com certeza, os bons cirurgiões turcos não fazem por esse preço de US$ 2.000.”



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