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Cidade-floresta propõe integrar comodidades da metrópole e vida na selva


The Forestias, uma floresta no coração de uma metrópole (Divulgação)

Já faz algum tempo, não muito, que começamos a ouvir falar sobre smart cities fora do eixo Europa-Estados Unidos. Projetos bem bacanas têm sido desenvolvidos no Oriente Médio e já temos um número expressivo de referências vindas da parte rica da Ásia. Em 2018, tive o primeiro contato com o projeto The Forestias, da Tailândia. De forma bem simples e objetiva:  os idealizadores do projeto querem fazer a primeira cidade inteligente do mundo com uma verdadeira floresta dentro. É como se São Paulo abrigasse uma floresta tropical com jacarés do papo amarelo, lobos-guarás, jararacas e jaguatiricas onde hoje é o Parque do Ibirapuera.

Cético e desconfiado como sou, minha primeira impressão foi a de que era um projeto de desmatamento de uma floresta para construir uma cidade, deixando um pouquinho de “mato” no meio e com uma bela embalagem de smart city para amolecer corações naturalistas e conquistar mentes progressistas, ainda mais porque tinha uma grande empresa do setor da construção civil por trás de tudo. Não seria a primeira vez, certo? Estamos cheios de “boas intenções” no setor. Mas eu estava completamente errado. Que bom!

No mês passado, eu tive o imenso prazer de reencontrar o professor Singh Intrachooto, reitor do Centro de Pesquisa e Inovação para a Sustentabilidade (RISC) e chefe do Centro Criativo de Eco-design da Kasetsart University, em Barcelona, durante o Smart City World Expo 2020. Ele não era somente um dos palestrantes no evento, mas também o cicerone do estande Smart Tailândia, que tinha como destaque o projeto The Forestias. Grata satisfação em ver o quanto eles avançaram a ideia e quão real e factível o projeto é.

Localizado em uma área de 119 acres em Bangna, na periferia de Bancoc, na Tailândia, vizinho ao aeroporto da cidade, o distrito inteligente será baseado no estilo de vida multi-geracional, de uso misto e non-human-centrict (não focado nos seres humanos, em tradução literal). Parece complicado, mas não é: ele incorpora a ideia de recursos de sustentabilidade e comodidade para melhorar a vida dos cidadãos.

Com inauguração prevista para 2022, o projeto do distrito compreende hotéis, condomínios, escritórios, residências de luxo, comunidades de idosos, centros médicos, uma área de moradias populares e uma zona comercial. Contará ainda com um laboratório de inovação e um centro de aprendizado. A incorporadora local responsável pelo projeto, MQDC, deve investir cerca de US$ 3 bilhões no ambicioso plano que, sem dúvida, tem como ponto forte, a criação, ou reprodução, de um ecossistema florestal em uma área metropolitana que ocupará 40% da área total.

À frente de todo o projeto está a RISC, do nosso protagonista Singh, que observou e estudou o ecossistema dentro e ao redor do local, identificando mais de 38 tipos de árvores e plantas e 123 espécies animais que criam um ambiente natural e ecologicamente equilibrado. Divididas em quatro níveis (Floresta Profunda, Floresta Residente, Centro Florestal e Pavilhão Florestal), as florestas já começaram a ser criadas com o plantio de árvores e a fauna deverá ser introduzida gradualmente, conforme a flora se desenvolve, e estima-se que o nível de floresta profunda seja alcançado em 20 anos.

Tendo o uso de resíduos plásticos e a recuperação de materiais como base para toda a construção, mais de 160 toneladas de plásticos retirados do mar devem ser utilizadas para construir cinco quilômetros de trilhas e outros elementos paisagísticos e de decoração. O objetivo é ser um protótipo para arquitetura verde e urbanismo no país e, certamente, será uma referência para o mundo.

Outra iniciativa bem bacana é a construção de uma usina de resfriamento de água que evitará a emissão do hidrofluorocarbono – gerado principalmente pelo uso de ar-condicionado nas cidades – ao utilizar um sistema de refrigeração de água que percorrerá todos os edifícios. Além de ser ecologicamente correto por não produzir poluentes e minimizar o efeito estufa, o sistema ajudará, também, na redução de custos.

Se enganam aqueles que pensam que o projeto se trata apenas de meio ambiente e sustentabilidade. A integração entre gerações diferentes (Alpha, Z, Y e X) e  membros de uma família também é um dos pilares dessa monumental obra. A ideia é que enquanto os avós brincam com os netos e se familiarizam com as novas tecnologias, a nova geração aprenda sobre o passado.

Parece ser simples, mas não é. Além da preocupação normal com espaços seguros para crianças, por exemplo, todos os materiais de construção devem atender a padrões de segurança e os locais também devem ser acessíveis a idosos. Assim, o projeto necessitará de diversas certificações como a Certificação Liderança em Energia e Design Ambiental (LEED) e WELL NORM, do Green Building Council, Certificação de Padrão de Bem-estar, do International Well Building Institute, e um certificado de classificação em sustentabilidade ambiental e energética.

Embora seja um plano bem trabalhoso, a The Forestias parece ir além de uma simples autodenominação de smart city e não vejo a hora de conhecê-la pessoalmente, o que deve ocorrer no primeiro semestre do próximo ano. Fique ligado, pois vou levar todos vocês para conhecer de perto essa primeira “smart forest-city ;). Não vejo a hora.

Um grande abraço e nos vemos na próxima semana.



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