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O que Ratinho acharia? Sêmen de homem contém só o DNA de outra pessoa – 10/12/2019


O DNA é o composto orgânico que contém todas as nossas informações genéticas e que diferenciam um indivíduo do outro, e os testes de paternidade dos programas de TV como o de Ratinho sabem disso muito bem. Mas o americano Chris Long descobriu recentemente que seu sêmen não contém mais seu DNA original, mas o de um alemão que ele nunca conheceu.

Ele ficou sabendo da mudança recentemente, quatro anos após passar por um transplante de medula óssea para tratar a leucemia mielóide aguda (LMA), segundo conta o New York Times.

Long, que vive em Reno, nos Estados Unidos, sabia que teria o DNA do doador no sangue. Era um efeito esperado, já que o objetivo do transplante era trocar o sangue fraco por um forte, e isso traz tudo com ele, incluindo o DNA. Isso porque o LMA é um tipo de câncer de sangue em que glóbulos brancos jovens, chamados de células leucêmicas, preenchem a medula óssea e a impedem de produzir sangue normalmente.

O que surpreendeu Long foi a extensão da alteração.

A colega de trabalho de Long no Departamento do Xerife de Washoe County, Renee Romero, falou que o transplante de 2015 poderia ter afetado mais do que o sangue dele.

Renee, que é chefe do laboratório de investigação forense, propôs a Long coletar e examinar amostras de diferentes partes do corpo. Os bastões de cotonete passados nos lábios e na bochecha de Long, por exemplo, continham DNA tanto dele quanto do doador da Alemanha, enquanto o cabelo tinha somente DNA dele mesmo.

A surpresa viria com o resultado do exame do sêmen de Long: todo o DNA era do doador. “Eu achei bastante incrível que eu consegui desaparecer e outra pessoa aparecer”, disse ele ao NYT.

A medicina chama de “quimerismo” quando alguém tem em seu organismo o próprio DNA e de outra pessoa. O nome faz referência à figura da mitologia grega feita de partes de diferentes animais. Embora varie de lenda para lenda, a quimera normalmente é descrita sendo um leão com a cabeça de um bode saindo de suas costas e um rabo cuja ponta é cabeça de uma cobra.

As pessoas com quimerismo não costumam ser prejudicadas pelo DNA do outro, nem mudar de personalidade ou fisicamente.

O impacto da descoberta de Long pode afetar mais a ciência criminal do que a oncologia. Afinal, amostras de DNA costumam ser evidência de crime em muitos casos, e casos como este poderão dificultar as coisas para os investigadores.

E se alguém, num contexto similar ao de Long, cometer crime sexual e os investigadores coletarem amostras de semên com o DNA de outra pessoa? A questão deve ser levada em conta, embora não seja exatamente nova.

Em 2004, investigadores do Alaska consultaram a base de dados com DNA de criminosos para verificar se o dono do sêmen de um caso tinha passagem pela polícia. O sistema encontrou o suspeito. Mas, ele estava na prisão à época do acontecimento e havia passado por um transplante de medula óssea. O doador era seu irmão, que depois foi julgado e preso.

Há, ainda, a pergunta inevitável: mas e se ele tiver filhos? Ele passará seus genes ou os do doador alemão? Será difícil dizer, pois Long fez uma vasectomia após o nascimento do segundo filho.

Ao NYT, Andrew Rezvani, diretor médico do Stanford University Medical Center, disse que as células sanguíneas de um doador não são capazes de criar novas células de esperma. Mehrmad Abedi, médico que tratou Long, acredita que a vasectomia explica como foram parar o DNA do alemão no sêmen do paciente.

Enquanto isso, Long decidiu que visitará a Alemanha para encontrar o doador e agradecê-lo por salvar sua vida.

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