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Graças à voz das ruas, emoji de acessibilidade passou a ganhar movimento – 25/02/2020


O The Accessible Icon Project (projeto do ícone acessível, em português) tem lutado, nos últimos anos, para que o popular símbolo da cadeira de rodas se tornasse mais ativo nas plataformas de tecnologia. E está conseguindo. Um dos mais recentes a entrar na onda foi o Android 10, que trouxe, entre as novidades, a atualização do emoji que representa a acessibilidade física.

A principal diferença do atual símbolo para o anterior é a mobilidade que ele busca transmitir para a pessoa que está na cadeira de rodas. Isso é notado na posição do braço e na inclinação da cabeça, indicando que a figura está se lançando para frente —uma postura ativa em relação ao próprio movimento.

O emoji não é inédito, pois foi adotado pela Apple em 2016 e uma imagem parecida é usada pelo Twitter desde 2014. É uma versão alternativa ao Símbolo Internacional de Acesso, elaborado pela designer Susanne Koefoed em 1968 e internacionalmente reconhecido para indicar locais e equipamentos acessíveis para pessoas com deficiência.

Emoji de acessibilidade em algumas plataformas --Samsung ainda mantém o formato antigo - Reprodução/emojipedia

Emoji de acessibilidade em algumas plataformas –Samsung ainda mantém o formato antigo

Imagem: Reprodução/emojipedia

O Accessible Icon Project tem origem em 2010, quando Sara Hendren e Brian Glenney, professores universitários, decidiram fazer intervenções nas ruas de Boston, nos Estados Unidos. Eles colaram adesivos por cima de placas que indicavam locais acessíveis, trazendo movimento para as figuras representadas. Os adesivos tinham fundo transparente, para contrastar as duas imagens.

A campanha nas ruas chamou atenção da imprensa e trouxe mais apoiadores para o projeto. A próxima fase foi elaborar o novo ícone em parceria com o designer gráfico Tim Ferguson Sauder.

Um dos méritos do design é fazer parte da coleção do MoMa (Museu de Arte Moderna de Nova York). Também passou a ser adotado como símbolo de acessibilidade por algumas cidades nos EUA e no estado de Nova York, além de instituições e empresas privadas, por mais que tenha um caráter extraoficial.

Pouca representatividade?

Apesar das boas intenções da iniciativa e buscar representar algo novo, ativistas da área têm opiniões contrárias a respeito da mudança.

A versão alternativa do símbolo é visto como retrocesso por Claudia Werneck, fundadora da ONG Escola de Gente, instituição dedicada à comunicação inclusiva.

Segundo Werneck, em vez de trazer uma nova proposta, o ícone reforça a ideia da deficiência física como aquela que simbolizaria todas as outras. “É algo que tentamos combater há décadas. Acessibilidade para cadeira de rodas não é acessibilidade para todos”, diz.

A fundadora da ONG também vê como negativa a postura ativa do emoji, como se a pessoa na cadeira de rodas precisasse se movimentar para ser notada e ter importância. Também seria inadequado por remeter à imagem de um paratleta, o que não corresponde à realidade de todos que fazem uso de cadeiras de roda. Por isso, define o símbolo como “remendo de algo que já não dava conta” de ser representativo.

Pensando nos diferentes tipos de acessibilidade, a última atualização operacional da Apple, o iOS 13.2, trouxe 67 novos emojis ligados ao tema. Alguns exemplos são imagens de cães-guia, aparelhos auditivos e próteses de braços e pernas. “É algo em expansão. O que não se pode é reduzir o pensamento”, aponta Werneck.

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