“O fim da escala 6×1 já não é mais promessa — é projeto em debate no Congresso. Mas a história mostra: nenhum direito do trabalhador é concedido sem pressão. Se não houver mobilização, a proposta trava. Se houver união, ela avança.”
Fim da escala 6×1 avança no Congresso, mas exige mobilização
O fim da escala 6×1 deixou de ser apenas uma reivindicação histórica dos trabalhadores e passou a ocupar, de forma concreta, a pauta do Congresso Nacional. Em abril de 2026, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou projeto de lei com regime de urgência propondo o fim da jornada de seis dias de trabalho para um de descanso, estabelecendo a jornada de até 40 horas semanais, com dois dias de descanso obrigatórios, sem redução salarial.
A medida acelera o debate e obriga o Congresso a se posicionar em prazo reduzido. No entanto, apesar do avanço, o caminho ainda não está livre. Propostas semelhantes já tramitavam na Câmara dos Deputados, inclusive por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PECs), que preveem desde a redução da jornada até modelos mais modernos de organização do trabalho. Essas propostas, porém, seguem um rito mais lento e enfrentam maior resistência.
Recentemente, a discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) teve parecer favorável, com aprovação, a CCJ é responsável por analisar a admissibilidade do texto. As propostas seguem agora para análise de uma comissão especial, onde o mérito será debatido.
Embora exista apoio, também há forte resistência, especialmente de setores que alegam impactos econômicos e aumento de custos.
O cenário atual é de disputa: de um lado, a pressão dos trabalhadores, sindicatos e parte do governo para avançar na pauta; de outro, segmentos que buscam frear ou adiar a mudança. O tema está em debate, ganhou força e visibilidade, mas ainda não foi aprovado.
Nenhum direito trabalhista foi conquistado sem mobilização. O fim da escala 6×1 não será diferente. O momento exige atenção, participação e união da categoria. Quanto maior a pressão social, maiores são as chances de avanço.
MODERNIZAÇÃO E PRODUTIVIDADE – O fim da escala 6×1 está alinhado a transformações recentes na economia, como o avanço tecnológico e os ganhos de produtividade. Jornadas mais equilibradas tendem a reduzir afastamentos, melhorar o desempenho e diminuir a rotatividade. Experiências internacionais mostram que, quando implementada com planejamento e diálogo, a redução da jornada contribui para melhor organização do trabalho e ganhos de produtividade
NOVO LIMITE – O texto enviado ao Congresso Nacional fixa novo limite de jornada em 40 horas semanais e mantém as 8 horas diárias, inclusive para trabalhadores em escalas especiais. O PL assegura dois dias de repouso semanal de 24 horas consecutivas — preferencialmente aos sábados e domingos — e consolida o modelo de cinco dias de trabalho para dois de descanso, superando a lógica predominante da escala 6×1. Os dias de repouso poderão ser definidos em negociação coletiva, respeitando as peculiaridades de cada atividade.
PELO MUNDO – O projeto aproxima o Brasil de um movimento já em curso em diversos países. O Chile aprovou a redução gradual da jornada de 45 para 40 horas semanais até 2029, enquanto a Colômbia está em transição de 48 para 42 horas até 2026. Na Europa, a jornada de 40 horas ou menos já é predominante: a França adota 35 horas semanais desde os anos 2000, e países como Alemanha e Holanda operam, na prática, com médias inferiores a 40 horas.
MILHÕES DE BENEFICIADOS – Cerca de 37,2 milhões de trabalhadores no Brasil têm jornadas acima de 40 horas semanais, o equivalente a aproximadamente 74% dos profissionais com apenas um dia de descanso.
Ao ampliar o tempo livre, o Projeto de Lei busca melhorar a qualidade de vida, fortalecer a convivência familiar e reduzir impactos na saúde.
O SINDSERV, aliado à CUT, apoia o fim da escala 6×1. A Luta não pode parar.
FIM DA ESCALA 6X1

